Quarta-feira, 7 de Setembro de 2005
As Crianças de Hoje
No outro dia estava a falar com um grande amigo meu e discutiamos as crianças nos dias de hoje e quais as diferenças para o nosso tempo (que não foi há tanto tempo assim) e chegámos à conclusão que nos divertiamos muito mais do que os miudos agora. Tinhamos mais liberdade. Bricavamos na rua sem a supervisão do pais... (não era preciso!) Como não tinhamos muitos briquedos (alguns de nós) inventavamos brincadeiras, construiamos os brinquedos. Era giro! Tenho pena dos miúdos agora. Para além de passarem a vida em casa, não têm metade da imaginação que nós tinhamos. É pena. Dou por mim a ver vários casais a contradizerem-se em frente à criança, criando desautoridade, vejo abuso no que toca a programas de T.V., brinquedos indicados para a idade o que pode e não pode fazer, etc, etc... enfim, acho que o email que recebi retrata um bocado isso. Leiam:

"Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades.
Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas.
Pelo contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos. Percebo porquê.
Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar.
Hoje, não. A criança nasce, não numa família mas numa pista de atletismo, com as barreiras da praxe: jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis, e um exército de professores, explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição.
Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente nas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito.
É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho, as quecas de sonho.
Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja a mamar forte no Prozac.
É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais desesperamos.
A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade.
O que não deixa de ser uma lástima.
Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência, mas sim a felicidade!"

João Pereira Coutinho, jornalista


publicado por Marisa às 13:28
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18 comentários:
De Metralha a 7 de Setembro de 2005 às 16:02
Lembram-se de um e-mail que circulava livremente pelas estradas da internet que sublinhava isso mesmo? Que antigamente os miúdos jogavam á bola, andavam de bicicleta, atiravam balões de água, iam de autocarro para a praia, entre outras coisas? Eu acho que hoje em dia os "putos" se forem largados no centro de Lisboa sem telemóvel se perdem!!! É a geração que temos, se calhar porque temos medo que eles façam algumas coisas que nós fizemos, porque sentimos que eles não estão preparados, tal como nós não estávamos, e arriscámos, mas vemos agora o tamanho desse risco (eu falo por mim).
Estamos a ficar mais velhos, e em alguns casos mais conscenciosos, e passámos por coisas que não queremos que eles passem...
Eu sou muito sincero, creio que muito do que fiz até aos meus 20 anos não lembra ao diabo, e olhando para trás pergunto: Como é possível ter feito aquilo sem estar bêbado? Bolas...
Acho que é também um pouco isto que vai na cabeça dos pais.
Mas isto é só uma opinião...


De Joana a 7 de Setembro de 2005 às 16:16
Não é por nada, mas eu tenho 23 anos e se me largarem em certas partes de Lisboa sem telemóvel acho que também já não saio de lá... :D


De Dash a 8 de Setembro de 2005 às 11:33
sim .... sobretudo se for em Santos, né Jô?


De Joana a 8 de Setembro de 2005 às 12:18
Não, eheh, eu em Santos já não me perco... Já tive dias...


De Marisa a 8 de Setembro de 2005 às 13:17
Meus amigos, com boca se vai a Roma. E a Santos também!
Ó Metralha, não sei como foi a tua infância, mas pareceu-me atribulada. Posso dizer que não me preocupava minimamente que um filho meu fizesse tudo o que eu fiz. Não teve mal nenhum (sou uma pessoa tão ajuizada hehe). Mas mesmo não sendo a minha infância tão agitada como a tua axo que me diverti mais :)


De Marisa a 8 de Setembro de 2005 às 13:18
Quando digo mais, não digo mais que tu. Digo mais do que os miudos hoje em dia.


De Lit a 9 de Setembro de 2005 às 12:29
No meu tempo, podiamos estar horas sem aparecer em casa k ninguém se preocupava...grandes tempos...mas é bom k o meu filho tenha imaginação para inventar brincadeiras pk a playstation em casa vai estar monopolizada pale pai! e um par de chapadas bem assentes na altura certa faz maravilhas! se os pais de agora fizessem isso de vez em quando, os putos de hoje andavam muito mais na linha... Ou faziam a merda às escondidas, como eu fiz! lol


De Marisa a 9 de Setembro de 2005 às 22:09
Ok. Já vi que vou ser eu a ter que dar os exemplos todos aos rebentos.


De Miguel. a 12 de Setembro de 2005 às 12:06
Estava eu alegremente a comentar na publicação anterior desta ilustre página quando percebi que já havia um sítio novo para vir escrever disparates. Então cá estou eu, e em relação ao que li quero dizer que me fartei de rir com o que a Joana disse, que subscrevo tudo o que a Marisa escreveu, e que tenho pena dos filhos do Luís. (Claro que, se adicionalmente pensarmos que os dois últimos ítems da minha lista estão intimamente relacionados, só as implicações disso dão para abrir um novo 'blog')


De Marisa a 12 de Setembro de 2005 às 18:17
E em breve meus amigos, muito em breve o blog do Luis ... NHA NHA NHA NHA.


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